Após mais de uma década, presença papal volta a aquecer os corações em vila histórica nos arredores de Roma
Resumo: O Papa Leão XIV surpreende ao retomar a tradição dos verões papais em Castel Gandolfo, reacendendo a alegria dos moradores e fiéis que há anos ansiavam por esse retorno simbólico. A visita inclui celebrações, encontros e um forte apelo ao cuidado com a criação.
Castel Gandolfo, Itália – 6 de julho de 2025 — Após quase treze anos sem receber a presença de um pontífice durante o verão, a pequena e histórica cidade de Castel Gandolfo voltou a se alegrar com a chegada do Papa Leão XIV neste domingo. Acompanhado por uma comitiva discreta e acolhido por centenas de moradores, o Papa deu início a um período de descanso e encontros espirituais que promete resgatar uma das tradições mais queridas da vida pontifícia.
O retorno à Vila Barberini — residência de verão dos papas desde o século XVII — marca um momento de reconexão entre o Vaticano e a cidade, que por séculos teve uma relação estreita com os sucessores de Pedro. A última visita havia ocorrido em 2013, com o Papa Francisco, que mais tarde decidiu abrir o palácio à visitação pública, transformando-o em museu.
A recepção foi calorosa. Crianças, idosos, religiosos e turistas enfeitaram as ruas com bandeiras e flores, entoando “Viva il Papa!” enquanto o Santo Padre caminhava sorridente até os portões da Villa, onde dois guardas suíços lhe prestavam homenagem. Ele cumprimentou pessoalmente muitos fiéis, abençoando-os e trocando palavras de afeto.
“Castel Gandolfo está casada com os papas há mais de quatro séculos. Hoje, sentimos que a história voltou aos trilhos”, declarou o padre Tadeusz Rozmus, pároco da Igreja de São Tomás de Vilanova, no centro da vila.
O Papa permanecerá no local entre os dias 6 e 20 de julho e retornará novamente entre 15 e 17 de agosto para celebrar a Solenidade da Assunção de Maria. Está prevista também uma Missa solene no dia 13 de julho e a oração do Angelus dominical na praça da igreja local, o que promete reunir fiéis de várias partes da Itália.
Castel Gandolfo, com suas colinas frescas e vista privilegiada para o Lago Albano, sempre foi refúgio de oração, reflexão e repouso para os papas. Pio XII e Paulo VI faleceram ali. João Paulo II recebia líderes mundiais, como Ronald Reagan, Yasser Arafat e Madre Teresa. Agora, Leão XIV dá continuidade a esse legado espiritual, valorizando também temas contemporâneos como o cuidado com o meio ambiente.
A Villa Barberini, onde está hospedado, foi restaurada recentemente e integra os Jardins de Castel Gandolfo, local que abriga o projeto Borgo Laudato Sì, inspirado na encíclica de 2015 sobre a ecologia integral. O padre Manuel Dorantes, diretor do projeto e próximo do Papa, celebrará com ele uma Missa privada dedicada à criação no dia 9 de julho.
A presença do pontífice representa mais que nostalgia. Para os moradores, é sinal de proximidade e esperança. “Aqui estamos acostumados a ver o Santo Padre caminhando entre nós, e isso nos faz sentir parte da Igreja de forma viva e íntima”, disse Maria Paola, proprietária de uma cafeteria na praça principal.
O retorno do Papa também deve impulsionar o turismo religioso na região, que vinha diminuindo desde a pandemia e a ausência papal. Museus, igrejas e pequenos comércios locais já se preparam para receber visitantes atraídos não apenas pela beleza natural da cidade, mas pela espiritualidade renovada que ela representa.
Além disso, a programação inclui momentos culturais, iniciativas ligadas à sustentabilidade e encontros com representantes de diferentes tradições religiosas, fortalecendo o diálogo e a missão da Igreja em tempos de crise ambiental e social.
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